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Pinhão e araucária: por que a semente virou símbolo de Curitiba

Publicado em 20/10/2026

Homem de terno falando em estúdio de entrevista

A silhueta da araucária, com os galhos erguidos como uma taça, aparece em logotipos, calçadas, souvenires e na paisagem de quase todo bairro de Curitiba. A semente dessa árvore, o pinhão, é presença obrigatória nas mesas do outono e do inverno. A relação vem de muito antes da cidade existir e ajuda a explicar até o nome da capital. Entender a história do pinhão em Curitiba é também entender por que a araucária precisa de proteção.

Uma árvore no nome da cidade

A araucária, cujo nome científico é Araucaria angustifolia, é a espécie característica da Floresta com Araucárias, que cobria grande parte do planalto paranaense. Quando os primeiros povoadores chegaram à região, encontraram extensos pinheirais, e os povos indígenas que viviam ali já usavam o pinhão como alimento importante nos meses frios.

Segundo a explicação mais difundida, o nome Curitiba vem de expressões de origem tupi-guarani ligadas ao pinheiro, com sentido próximo de "muitos pinheiros" ou "pinheiral". As interpretações variam entre estudiosos, mas todas apontam para a árvore que dominava a paisagem. Não à toa, a araucária também é símbolo do Paraná e figura em brasões e bandeiras.

Por que a araucária precisa de proteção

A exploração intensa da madeira ao longo do século 20 reduziu drasticamente as áreas de floresta com araucária. Hoje, a espécie está na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, e o corte é fortemente restrito. Em Curitiba, a araucária é uma das espécies que não podem ser cortadas por decisão do proprietário: qualquer intervenção depende de avaliação e autorização do órgão ambiental municipal.

O pinhão tem papel ecológico importante. Serve de alimento para aves como a gralha-azul, para roedores e outros animais que, ao enterrar e esquecer sementes, ajudam a espalhar novas araucárias. Por isso, a colheita precisa respeitar o tempo da natureza.

Época da safra e regras de coleta e venda

O pinhão amadurece no outono. No Paraná, a colheita, o transporte e a venda só são permitidos a partir de abril, em data definida pelo Instituto Água e Terra, o órgão ambiental do estado. A regra existe para garantir que as pinhas caiam maduras e que parte das sementes permaneça na floresta para a regeneração natural.

Alguns pontos que o consumidor deve observar:

Do cozido ao entrevero: pratos típicos

A forma mais simples de comer pinhão é cozido em água com sal, na panela de pressão, e descascado ainda quente. Também é tradicional assá-lo na chapa do fogão a lenha ou na brasa, o chamado pinhão sapecado, que ganha sabor defumado.

Na cozinha paranaense, a semente vai muito além do lanche de fim de tarde:

  1. entrevero: mistura de carnes, legumes e pinhão cozidos na mesma panela, prato típico dos meses frios;
  2. paçoca de pinhão: o pinhão cozido é moído e refogado com carne, formando uma farofa úmida;
  3. sopas e cremes, em que o pinhão dá corpo e sabor adocicado;
  4. recheios e acompanhamentos, combinados com linguiça, bacon ou cogumelos;
  5. doces, como bolos e cocadas feitos com a farinha da semente.

Pinhão cozido pode ser descascado e congelado, o que permite aproveitá-lo fora da temporada.

Onde encontrar pinhão na cidade

Durante a safra, o pinhão aparece em praticamente todo lugar: no Mercado Municipal, nas feiras livres e de bairro, em sacolões, supermercados e com vendedores ambulantes em pontos de grande circulação. Festas juninas e eventos de inverno também costumam ter barracas com pinhão cozido e pratos à base da semente. Ao comprar de ambulantes, prefira quem vende pinhão com aparência fresca, sem sementes rachadas ou com mofo.

Antes de terminar

Qual é a relação entre o nome Curitiba e o pinhão?

Segundo a explicação mais difundida, o nome vem de expressões tupi-guarani ligadas ao pinheiro, com sentido próximo de "muitos pinheiros". A interpretação exata varia, mas todas remetem à araucária.

Quando começa a temporada do pinhão no Paraná?

A colheita e a venda são liberadas em abril, em data fixada pelo Instituto Água e Terra. Antes disso, a comercialização é proibida e sujeita a multa.

Posso cortar uma araucária no meu terreno em Curitiba?

Não por conta própria. A araucária é espécie ameaçada e protegida, e qualquer intervenção depende de avaliação e autorização do órgão ambiental municipal.