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Curitiba no mapa das grandes obras: o que a capital e o litoral do Paraná constroem em 2026

Publicado em 21/09/2026

Rodovia cercada de vegetação com legenda referente ao Alto Tietê

Quem circula pela cidade em 2026 esbarra em canteiros com frequência: canaletas sendo refeitas, trincheiras abertas sob avenidas movimentadas, desvios que mudam de lugar a cada etapa. Não é impressão. A prefeitura previu R$ 2,9 bilhões para as obras em Curitiba em 2026: cerca de R$ 1,65 bilhão em intervenções novas e R$ 1,12 bilhão em obras que já estavam em andamento. Com a ponte que mudou a viagem ao litoral, o pacote coloca a capital paranaense no mapa das grandes obras do país. O guia abaixo explica o que está sendo feito e o que muda para quem mora nos bairros afetados.

Novo Inter 2: 38 km cruzando 28 bairros

A maior intervenção em extensão é o Novo Inter 2, a requalificação da linha Interbairros 2. São 38 km de percurso atravessando 28 bairros, numa linha que transporta cerca de 181 mil passageiros por dia. O pavimento passa a ser de concreto, mais resistente ao peso dos ônibus, e as estações e cruzamentos são refeitos. Em julho de 2026, os lotes 3.1 e 3.2 estavam com cerca de metade das obras executadas.

Para quem mora ao longo do trajeto, a obra significa meses de desvios, restrições de estacionamento, barulho e acesso mais difícil ao comércio da rua. Depois dela, a expectativa é de viagens mais regulares e menos buracos, já que o concreto dura mais que o asfalto sob tráfego pesado de ônibus.

BRT Leste-Oeste e as trincheiras da Linha Verde

O BRT Leste-Oeste mira o corredor que cruza a cidade de leste a oeste. O projeto soma mais de 20 km de canaletas, 34 estações-tubo e 5 terminais, reforçando a lógica de ônibus em pista exclusiva que é marca da cidade.

Na Linha Verde, a antiga rodovia que atravessava a cidade e foi transformada em avenida urbana, o foco são as trincheiras. As da Vila São Pedro passam sob a Linha Verde e separam o tráfego de passagem dos cruzamentos locais. Também estão no pacote a trincheira da Avenida Lothário Meissner e os viadutos da Marechal Floriano.

Para os bairros vizinhos, o saldo tende a ser positivo depois da obra, com menos semáforos e travessias mais seguras. Durante a construção, porém, o trânsito se concentra nas ruas paralelas, e vale acompanhar os comunicados de desvio antes de sair de casa.

Ponte de Guaratuba: o litoral sem ferry boat

A obra de maior impacto para quem desce a serra não fica na capital. A Ponte de Guaratuba, chamada de Ponte da Vitória, foi inaugurada em 1º de maio de 2026 e aposentou o ferry boat que fazia a travessia da baía havia mais de 60 anos. São cerca de 1.240 metros de ponte, com quatro faixas e ciclovia, ligando Guaratuba a Matinhos, sem pedágio.

A travessia, que levava em torno de 45 minutos, caiu para cerca de 2 minutos. Para o curitibano que passa o verão no litoral, a temporada 2026-2027 é a primeira sem fila de embarque, embora o fluxo de veículos nas pontas da ponte ainda precise ser observado nos fins de semana de pico.

O que Curitiba escolhe e o que outras metrópoles escolhem

O desenho do pacote curitibano diz muito sobre as prioridades da cidade. A maior parte do dinheiro vai para canaletas, estações e corredores de ônibus, na linha do modelo que a capital adota desde os anos 1970.

Outras metrópoles seguem caminhos diferentes. Belo Horizonte aposta nos trilhos: a Linha 2 do metrô teve as duas primeiras estações inauguradas em 3 de julho de 2026, e as demais estão previstas para 2027 e 2028. Na Grande São Paulo, o Complexo Viário do Alto Tietê funciona como contraponto: cerca de R$ 1,2 bilhão, segundo o anúncio oficial, concentrados em viadutos e acessos rodoviários ao Rodoanel em Poá e Suzano, pensados para aproximar essas cidades das rodovias.

As escolhas não são comparáveis diretamente, porque os regimes de contratação e as bases de preço são diferentes. Mas mostram que cada região aposta onde enxerga seu gargalo: Curitiba nos corredores de ônibus, BH nos trilhos, o Alto Tietê no acesso rodoviário.

Antes de terminar

Quais são as principais obras em Curitiba em 2026?

Os destaques do pacote de R$ 2,9 bilhões previsto pela prefeitura são o Novo Inter 2, o BRT Leste-Oeste, as trincheiras da Vila São Pedro sob a Linha Verde, a trincheira da Avenida Lothário Meissner e os viadutos da Marechal Floriano.

O que é o Novo Inter 2?

É a requalificação da linha Interbairros 2, com 38 km de percurso por 28 bairros e cerca de 181 mil passageiros por dia. A obra troca o pavimento por concreto e refaz estações e cruzamentos.

A Ponte de Guaratuba tem pedágio?

Não. A ponte, inaugurada em 1º de maio de 2026, liga Guaratuba a Matinhos sem cobrança de pedágio e substituiu o ferry boat que fazia a travessia da baía.